sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Poeta Vadio

O frio climático e interpessoal fazem-me calientar na poesia. Ando cantolando versos, brincando em refrões, aquelas coisas que poeta vadio gosta de fazer. 
Este poema, por exemplo, nasceu d'uma discussão com meu amigo poeta Fernando e com amigo-músico-poeta-repentista Luiz Fernando Buba. O último citado, passou um site curioso, tal de 'poeta vadio' http://www.poetavadio.com/ que é um dicionário de rimas. De primeiro, fui contra, os vocábulos e as linhas de poesia o escritor sempre tem que levar ao punho, mas depois percebi que a rima é importante para dar musicalidade ao texto, harmonia e leveza.
 Foi então que nasceu o poema. 


Sou apenas um poeta
(Vadio)
Que jogo as palavras
No jogo de improvisar
E de tanto dizer que te amo
E de tanto sofrer em te amar
Minto que que sinto
E brinco de amar,
Num frio de sorrir
No calor de louvar
Sou o poeta vadio
Que mando as cartas
(de azar)
Escritor cigano
Que escuto o amor gritando
Poeta vadio
Que num beijo
Prova como é bom amar à meretriz
Com sussurros e poemas de arrepio
Este poema bebe e diz
Poeta vadio
Sambe toró em chafariz
Repita a fio
E seja este Poeta vadio.

domingo, 7 de agosto de 2011

Divida externa


Parem com o consumo!
não se esgotem!
não comam!
não bebam!
não amem!
não consumam!
não fumem!
não escutem!
minha gente, não transem
Não olhem a televisão
Não vivam,
Não enxerguem em vocês monstros
Com dentes grandes e afiados,
Loucos por vísceras e coca-cola.
Não passe a língua nos dedos sujos
Nem espere a migalhas do amor alheio
Embebeda-se com o sumo forte
Sangue fino de suas veias.
Juros inflacionará os corações solitários,
Fará nosso dinheiro suado valer menos
Não teremos mais para limpar nossas bundas
Encher nossos nariz de sonhos
Saciar nossa falta de si mesmos
Prometam ao bispo,
A puta da esquina, que não terão nosso dízimo
Diga ao governo que o produto interno bruto será fumado
E nossos pulmões serão apenas árvores velhas e sem raízes.
Não consumam.

sábado, 30 de julho de 2011

Baião de mim e de dois

Num vão de tempo me fui
Trem cantarolando canções pro futuro
debruçado no sol olhar
Sorrindo  tanta paisagem
Mesmo que o vulcão tornar acordar
E minha boca torna-se só amargura
Dei-me a mão
Imergindo corpo na figura
Solidão
Nosso amor composto em tamborim
bom baião de mim.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Presente dum poeta

Prum poema se fez um poeta 
De trato fino, pena em riste
A cena consequente do nanquim 
As palavras diziam: sim... 
Os olhos lutando em um “não” 
Prum poema fez-se três versos 
O primeiro incerto 
O segundo seguro 
O terceiro: adeus velho mundo... 
E do poema se fez teatro 
De ato em ato um sorriso 
Um falecido e um abraço 
Prum poema fez-se palhaço 
Que riu do autor 
E releu o autor 
E desse autuado escritor
Fez-se um poema abstrato


Fernando L.S. Martins

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Pra Bê

Não coma seus versos
Expire-os por aí
Como a flor que exala aroma ao ser pisada
Fira-os com seu roçar de palavras

domingo, 19 de junho de 2011

Estorvo

'Estorvo'...Somente isto que dizia na capa do livro que achei entre inúmeras coisas que estavam mergulhado no mar do esquecimento na garagem de minha avó.
Abri afoito o livro, me sentia tal o título, seria uma manual de sobrevivência?
E lá estava ele na primeira página: Chico Buarque. Foi assim que fomos apresentados. Não existiria momento melhor.
O Bob Dylan brasileiro, para os mais estadounidenses, ou Che Guevara brasileiro para os mais comunistas. Não importa, Chico Buarque escreveu/musicou e teatrou boa parte da nossa história.





'Mendigo, malandro, muleque, mulambo bem ou mal
Escravo fugido, um louco varrido
Poeta, palhaço, pirata, corisco, errante judeu'


Chico da construção
Chico do samba torto
Chico da Ópera
Chico dos mil perdões
Chico das mulheres de atenas
Chico das atrizes
Chico dos amores
Chico do Brasil