domingo, 26 de junho de 2016

quando diz-se verso
a poesia atravesso
se há amor
eu meço.


eu gosto dos teus olhos
amoras
cor da vida
o que há em nós
alento
acanto doutrora.

Persisto em dizer
onde peito transborda
e faz do rio
encontro com mar
enfurece nosso amor

ah... as conchas,
as pedras brincando com a água
os peixes nascendo sol
as correntezas mudando
de lugar.

nosso amor é guerra
de olhar firme
da tua cintura quebrante
coração a batucar
dizendo
falando
mentindo.

meu desejo preta
se é que me entende
como joão gilberto
e jacques morelenbaum
como é bom despertar
quando o céu é
aqui.


quinta-feira, 23 de junho de 2016

O amor é incivilizável

O amor é incivilizável, 
atemporal. 
Traz consigo a desobediência civil, 
o paradoxo da humanidade. 
Não existe conceito 
delimitação quando o amor acontece. 

           O amor é verdadeiramente anárquico, 
não segue lógica e não racional
 deuses são deuses porque não se pensam
já diria Fernando Pessoa.

O amor é um louco varrido. 
Não faz morada no conceito de vínculo,
 nem nos conceitos que estruturam 
nossa civilização e sociedade. 

O amor corre fora do discurso 
do texto em que insisto escrever 
 alcunhar poesia.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Meu Deus é Samba

há de concordar comigo
que o mistério do samba
e fazer o coração batucar

meu povo bamba
brasil pandeiro
o samba é nossa religião

pagã e crua
unguento,
couro curandeiro
me conduz
meus pés traduz
sua realeza
matriz africana
hoje repique
surdo
tamborim
pandeiro
mora na
palma da mão.


quinta-feira, 26 de maio de 2016

nós

nós,
artistas temos que
respeitar nossa alma
nosso destino.

temos a missão de desconstruir
a obrigação de entortar as linhas
da fada realidade.

lotear o mar 
pintar o muro da cor
dos olhos da mulata.

nós,
poetas,
temos que levantar a onda
da poesia,
desterrar o poema
e deixar o beijo durar.
desatar os nós,
atar a nós a existência
a sintaxe e o verbo.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Alforrio-me escravo
Labuto ao cair do véu
No seu rosto vermelho sol
Pousarei borboleta
E se teus lábios revelam-se cais
Partirei daí
Sua mucosa rala
Timoneiro
Faço-me seus
olhos marejam
Inundam mar.
Comi
Juro que comi
e ela é linda
tem seus olhos pintados
e escalei seus montes
que monte!
Desbravei a gruta
em que havia uma mulher sem orifício
Fiz ali um sacrifício
deleitei-me em suas corredeiras
e na floreira 
fiz-me espinho
devorei
afoito
escroto,
como um besouro a uma boa folha viva
e como um bom animal 
gozei
olhando o céu
como somos felizes?
não tinha cigarro.

inverno de 2011.