sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Dê de presente poesia

Fui presenteado por volta de um mês com um poema, registro de boas conversas e momentos de reflexão em companhia de um velho-novo amigo Silva. Não poderia deixar de compartilhar um presente tal, já que, hoje em dia é muito difícil ser agraciado por um belo poema.


Bebe
para que possas vomitar
e bebe novamente e sê livre
como não o é
quem enxerga conclusões
serás uma pedra no estômago do mundo
mas bebe tudo num único gole
e quando estiveres pelas calçadas
ou voando com a fumaça louca das chaminés
vomites da forma que lhe aprouver
bebe, bebe, bebe, bebe, bebe
e então vomites
mas antes de tudo
bebe

Silvério Bittencourt

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O dia

Dia se ergue
Trabalhadores tocam amores
Feito tijolos para construção
Logo vem o cimento
Retângulares corpos
Roldanas descem
Sonhos de uma canção de ninar
As batatas se esparramam
As meninas colocam a mão no coração
A música dos motores
As batidas do martelo
Faz balançar fumaça
Bitucas sangram no asfalto
O vento levanta o odor do canos
Esgoto em mentes sãs
As rodas frenéticas
Puta Pastor Fiéis
Vendem a fé
Verdade mentida
Horas cordiais estrangulam mais um dia.

domingo, 5 de setembro de 2010

velhomeninoninguémalémalguémquemeueuquem
quengaguriaputacadelabucetadelaaquela
eu quem?

Poemar

solidão destilado algo forte
Busca apenas um norte
os pés flutuam no canto
lua pratea
salgado amar
Mar aceso
Doce
Sal do mar
Embalam os sonhos
Molham raios
Navegam estribos
Mão no trilhos
Forte algo destilado solidão

amigo do mar.

sopra a maresia
as condolências
pobre soldado
rendido
traído pela dor
traidor pelo amor
plausível ao gozo
dispensável
como castelos
que o mar vem brincar.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Perdi-me entre meus eus
Trânsito caótico
Eu aqui
Eu acolá
Todos querendo samba
Samba torto
E na manhã
deixam pegadas na areia
Que o mar insiste beijar.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Entenda meu amor,
somos mamíferos diurnos,
temos medo da escuridão,
da morte,
dos mortos.
Meu amor, ainda temos
tempo, ou mórbidos sonhos?
ainda acreditamos?
passeamos entre os cosmos?
e se houver escuridão?
e se as lágrimas negras nos inundar?
Meu amor e se nosso medo apagar?
ainda teremos medos?
apenas sonhos mórbidos?