quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O dia

Dia se ergue
Trabalhadores tocam amores
Feito tijolos para construção
Logo vem o cimento
Retângulares corpos
Roldanas descem
Sonhos de uma canção de ninar
As batatas se esparramam
As meninas colocam a mão no coração
A música dos motores
As batidas do martelo
Faz balançar fumaça
Bitucas sangram no asfalto
O vento levanta o odor do canos
Esgoto em mentes sãs
As rodas frenéticas
Puta Pastor Fiéis
Vendem a fé
Verdade mentida
Horas cordiais estrangulam mais um dia.

Um comentário:

Maria de Lourdes disse...

Este poema traduz bem a realidade dura da construção civil, o operário. O fruto deste trabalho, o lar, o sonho. O verso "O esgoto em mentes sã" é outra realidade presente no cenário das nossas cidades e este "mente sã" chega ao ponto do verso não soar mais como poesia, sinônimo de encantamento, mas sinônimo de absurdo. Nós estamos cruzando uma literatura chamada de absurda, onde os conceitos são outros: de pular o esgoto e seguir em frente (momento pensante), ato praticado pela "mente sã".