terça-feira, 12 de abril de 2016

morte

o sopro do infinito
o beijo cálido da morte
fazem entender o universo
temos que concordar
quando samba acaba
e subtrai sorriso da mulata
a vida voltar a ser como ela é
cada qual em sua caduca engrenagem
não há o que contestar
a morte é a solução da filosofia
o epitáfio da existência
a religião de nós
amantes descrentes
a morte é um abraço
que a vida necessariamente pede
as mãos do coveiro
o música surda da pá
o cimento frio
o tijolo duro de alma
a morte é
a nossa falta de si
o mar tingido de céu
a onda quebrando por si só
nosso samba canção
que ensaiamos a a vida inteira
para dançar na amplidão.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Nós amantes
somos uma máquina de expectativa
O oco da voz da ilusão
um grito surdo na amplidão

Ventos no varal
e os lençóis engravidam
na expectativa de novas direções
esquecem a solidão do prendedor.

 - recolha as roupas Luís.

É tempo de amar
Um beijo e a certeza do não
O afago e a impossibilidade do sim
Ai de quem não rasgue o coração.








Notas sobre coração, amor e arte

- O que impulsiona a vida? 
- Veja pela lógica Luís, quem impulsiona a vida é o coração. Sua função vital de distribuir vida ao nosso organismo.
- E o amor?
- O amor impulsiona o coração, mas no sentido figurado, me entende?
- Figurado no sentido literal?
- Figurado, figura de linguagem.
- Isso é arte. A arte que impulsiona a vida.
- A vida impulsiona a arte.
- E o coração?
- Ah, há muito segredos sobre ele.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

vasculho a memória
assim como as nuvens
as silhuetas do céu
a poesia veste
meus passos

o porta retrato imóvel
calado e branco 
da estante

abro a porta
abro a torneira
corro.

é preciso parar
de ser 
cara e coroa

ter a cara 
e peito suficiente
deixar transbordar o mar

ter a coroa
seu brilho fugaz 
sabedoria real.

o perfume invade a casa...

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Ao Tom

Sonhei contigo, Tom Jobim... 
Fumava um charuto 
me dava conselhos,
alguns tolos, 
outros mais relevantes.

Ria da chuva
Chuva boa criadeira

explicava o arado das estrelas
os sonhos doutrora
de agora.

"Olha"
me pedia atenção 
para ouvir o canto do passarim...
Acordei sabiá,

cantarolando seus sambas,
o sol na janela, 

pedindo um banho de mar.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Bebodosamba

Bebodosamba
Vi Paulinho cantar
num verso de viola
que nem sei ao certo
 explicar
de certo, o verbo
em que o samba faz
e desfaz
o que demos sentido
ao amar.

De fato Paulinho,
Bêbado do samba.

Musa

nas figueiras ao lado da igreja

Musa,
Deixa eu
Descobrir teus moentes
Desbravar tuas cordilheiras
Acordar teu mar
Revoltar tuas melenas
Já que vens de Atenas
Deixa moça
circundar tua linha Alba
Minha linha do Equador
Deixa moça?
Deixa musa...