quarta-feira, 13 de maio de 2015

Colóquio do Tempo

Ela perguntaria. Você perguntaria? Não sei. Ela pergunta que vai chover.
Eu titubeei, e ele responderia numa outra pergunta. Ele responde numa outra pergunta, quiça?
Ela conhece o tempo como ninguém, como se comporta o vento, como a lua mostra seu franco, como o mar exibe seu vestido.
Você diria que iria chover, mas ela sabe que não vai chover, a pergunta era uma pedra que espera o mar a banhar todos os dias, um espinho atravessado na garganta, a concha desgarrada do molusco ou apenas uma pergunta sendo pergunta.
Eu sei que não. Ela responde que acha que não chove.
Ele responde se chover que seque meu coração que está no varal.
Ela não ri, ele riria, ela chora, você só olha, sem saber o que fazer e eu olho a onda que insiste em vestir a pedra que faz sua reza beira-mar.
Meu amor olha pro céu
aquela nossa estrela caiu
Deixou um vazio no espaço
Outra estrela surgiu
E desfez nosso laço

Ao largo do paço
o escorpião translada
a constelação caça
e nada não passa
de uma grande trapaça.

o amor é maior que os amantes

O amor é maior que os amantes
Por mais que tentamos conter o mar
flutua ondas brumosas
detona-se em branca renda.

Mar é sábia imensidão
Assim como o amor que transita
formas que suplicam
apenas atenção.

Neste vale, onde lágrimas de chuvas
formaram correnteza,
trouxe as flores de certezas doutrora.

Maré vento
quando acolhe a chuva
Colhe as lágrimas
para regar a flor do amar.


segunda-feira, 4 de maio de 2015

A estrela culmina no céu 
da boca da terra
ela arde espelho
lilás pôr do sol
quando o debruçar de Deus
Montanha floresce

A flor que traz no cabelo
colhi na beira do rio
na chuva me encontrei
O céu azul mancou
no barro intacto

A correnteza deste mar
aberto
me infla vela
me corre areia
e eu com a flor e com a estrela
deixo a lua me levar.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

samba meu

O meu samba rasgado
sabe tudo,
O meu samba soluça
poema de outrora
acredite,
meu samba não depende de você.

Já diria João Gilberto
Saudade fez um samba em seu lugar,
E por mais que o meu samba
seja ateu
culpa pode ser sua
dor pode ser minha
O samba é meu.



segunda-feira, 20 de abril de 2015

Garuda
pássaro do sol
Adormece no Himalaia
No outono.
Pena por pena
ele se despe
quebra o bico e garras
nas pedras
E ali, nu permanece
como um monge
desapega da sua proteção
Indefeso.
Aos poucos, os raios de sol
tornam a vesti-lo
e o bico e garras
nascem ouro.
Garupa é o Sol do Himalaia

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Acredito que o amor
seja uma borboleta
enche o ventre
colore o olhos
percorre os trilhos sentidos

Creio que o amor
seja uma borboleta
dessas de asas vitrais
preenche nosso mar
desagua nossa alma

Compreendo que o amor
seja uma borboleta
sabe-se que para sê-la
é preciso se transformar.