quarta-feira, 25 de junho de 2014

Sem Carinho

Se acha que tens o que quer E a mim, não tens mais consideração, Que peito sem carinho mulher, da vida roubaste a graça Se para muitas toco um fado qualquer Como o mar faz canção, Siga o caminho peito vazio mulher A vida é sempre uma manhã Da sua pirraça estou livre se Deus quiser não caio num jogo sequer, como diz um bom samba-canção È com desdém que se ganha uma mulher Da sua pirraça não caio num jogo sequer Estou livre se Deus quiser
È como diz um bom samba-canção È com desdém que se ganha um coração.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

O alto da copa da árvore
espio a diadema
que traz

assim, como este poema
que insiste
não cair do pé
e virar raiz
alguma razão

então faça o favor,
agarre o fruta
morda e tome do seu sumo
e cuspa por aí as sementes.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Maré Morena

Hoje tem maré cheia
Nos olhos da onda,
Escrevi nosso castelo de areia
Para o que o mar esconda
Nossas sérias besteiras

Hoje tem maré cheia
No sol do teu sorriso
A lua se mostra inteira
O mar quer abrigo
No seu gingado morena

Hoje tem maré cheia
No aço das cordas
melodia invade a areia
céu já transborda
nosso samba-bobeira

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

nasceu de evento

'nasceu de evento pra ser movimento o samba torto, e como todo movimento,  consolidou algumas características. o próprio nome cunhado nos permite dissecar estas características. segue: de samba a graça alinhada do malandro, as noites bambas estreladas carregadas de cadências (em vida e verso), o negrume perfumado dos ares de fumo... e o que entorta o meio classicismo disso tudo? atmosfera urbana, o verso (qse) desvirgulado e (meio) desvirtuado, essa coisa de acelerar que nem um motor que não vê ponto nem eira nem beira, como nenhum tocador de roda de samba conseguiria no repique do pandeiro, acelerar até um suspiro relax, no charme da poesia. o ambiente é torres, uma quase cidadezinha no litoral norte do rio grande do sul, o botequim fica em algum lugar entre a bela época da nossa memória e um raio de sol do dia seguinte. e o samba torto acontece que horas? da hora que a poesia chega até a hora dela ir embora. é uma audácia.'

Silvério Bittencourt

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

'tu aprender amar
mas não apreende o amor.'
Vivi por aí
e sempre é o mesmo erro
as coisas não mudam
quando o sentimento não depura
não há remédio, não há cura
os passos são os mesmos
e o caminho de curvas
sobem em pedra.

Talvez a profética frase
diga alguma coisa,
não sei se há tempo...